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Como a inquietação de dois irmãos resultou no Pixel Show, o maior festival de criatividade da América Latina

10/12/2018

Como a inquietação de dois irmãos resultou no Pixel Show, o maior festival de criatividade da América Latina

 

Evento nasceu em 2005 com público de 300 pessoas e encerrou sua 14ª edição com mais de 51 mil participantes

 

Giovanna Riato

 

Realizar um evento sobre criatividade para pessoas com as mais diversas bagagens e idades. Esta é a missão do Pixel Show, realizado anualmente em São Paulo pela Zupi Design, hub de projetos criativos, durante um fim de semana. A última edição foi em novembro e atraiu 51 mil participantes em dois dias entre pessoas da indústria criativa e de segmentos mais distantes, famílias inteiras, crianças, terceira idade... Os mais variados perfis, cada um atraído por um aspecto do evento: as palestras, os shows, workshops, a feira de criatividade ou as várias ativações, como a Post-It War ou uma imensa exposição de Lego.

 

“Nossa meta era reunir 45 mil pessoas, mas sabia que tínhamos potencial para mais. Fiquei muito feliz em ver tanta gente ali. Foi o nosso recorde de público”, diz Simon Szacher, 39 anos, diretor executivo da Zupi e cofundador do Pixel Show ao lado do irmão e idealizador, Allan Szacher, 41 anos. Os dois são sócios desde sempre. Quando eram moleques, ganharam um computador e passavam horas ali. Um dia ouviram dos pais que não poderiam seguir nessa toada se não aproveitassem aquele tempo para fazer algo produtivo. Os dois, do alto de seus 11 e 13 anos, respectivamente, começaram então seu primeiro negócio assim, meio brincando. Tinha até nome pomposo: Cards & Labels, uma empresa que fazia cartões e etiquetas, cuidava do branding e da identidade visual de diversos negócios, mesmo sem saber o que era exatamente isso, na época.

 

“Nosso primeiro cliente foi o nosso avô, que era médico e ganhou um novo receituário e cartões de visitas. Fizemos para a família toda e a coisa foi ficando séria. Em um ano já tínhamos um monte de clientes”, lembra Simon, ainda rindo de lembrar das duas crianças desafiadas pelos pais. Desde novinhos, a parceria dos irmãos fluiu bem. “Sou o Excel e ele, o Photoshop. Sempre gostei mais do negócio, enquanto ele se encontra na parte criativa”, conta Simon.

 

A Cards & Labels durou uns bons anos, até os dois irem para a faculdade. O Excel estudou Administração, Comércio Exterior e se especializou em normas de qualidade e, enquanto isso, o Photoshop concluiu o curso de Publicidade, trabalhou em agências e foi estudar Design na Austrália. Passaram uns anos profissionalmente separados, centrados nas próprias carreiras, mas começaram a ficar inquietos por tocar um novo projeto juntos, mesmo antes do Allan voltar do intercâmbio.

 

TODO MUNDO É CRIATIVO

 

Em 2001, quando tudo ainda era mato na internet, eles começaram o site da Zupi. Simon conta que os dois experimentaram um monte de ferramentas e formatos e, já em 2004, acumulavam mailing de mais de 40 mil pessoas. “Era algo bem expressivo para a época”, lembra. Em 2005 decidiram, afinal, tentar reunir ao vivo o público e o conteúdo que já tinham no meio digital, e fizeram a primeira edição do Pixel Show no MIS, em São Paulo, para falar sobre criatividade.

 

Ainda tímido, o encontro atraiu 300 pessoas. No começo tudo era bastante focado em pessoas que trabalhavam com comunicação, que tinham a criatividade como job description. Com o tempo, os dois entenderam que o assunto (e o evento) tinha potencial maior, como conta Simon:

 

“A criatividade assumiu um novo patamar. Não é mais algo desta ou daquela profissão, mas uma habilidade multidisciplinar e multissetorial. Hoje 2,6% do PIB brasileiro vêm da economia criativa, além de gerar mais de 1 milhão de empregos diretos e envolver mais de 200 mil empresas e instituições”

 

O cofundador defende que ser criativo é uma aptidão cada vez mais necessária a qualquer profissão e perfil pessoal. “A única coisa que não pode ser criativa é a contabilidade”, ri. “De resto, a criatividade deveria estar presente em qualquer trabalho, seja cozinhar, realizar festas ou gerar novos negócios. É uma ferramenta para melhorar o amanhã, para buscar novas soluções”, diz. Esta visão de Simon, ao longo dos anos, teve enorme aderência no mercado. Das poucas centenas de participantes da primeira edição, o Pixel Show passou a atrair mais de mil pessoas por evento nos anos seguintes e deu um salto a partir da 9ª edição, partindo para milhares de inscritos, cada vez com mais conteúdo e novas entregas para o público.

 

GERAR OPORTUNIDADES PARA DIFERENTES PÚBLICOS

 

A busca dos dois irmãos é sempre por colocar em prática o olhar criativo que tanto defendem e, por isso, trabalham para agregar novidade a cada evento. Na edição de 2018 do Pixel Show ofereceram 450 atividades durante o fim de semana. Eram oito salas temáticas de conteúdo, performances artísticas, workshops e mais uma batelada de coisas. Apesar de o evento se monetizar com a venda de ingressos e com o apoio das marcas patrocinadoras, esta edição, mais do que nunca, ofereceu atividades gratuitas, com grande parte do evento aberta ao público, como conta Simon:

 

“Temos várias métricas de sucesso e uma delas é essa questão do acesso. Somos filhos de professores e pensamos muito nos desafios da educação no Brasil. Ainda que seja de uma maneira informal, queremos abrir as portas para as pessoas irem ao evento ampliar seus horizontes”

 

E complementa: “nossa busca é por ajudar as pessoas para que elas se superem independentemente da realidade em que vivem.” Ele diz que este ano o Pixel Show ofereceu quase 900 ingressos cortesia para pessoas de baixa renda acompanharem todo o conteúdo. A edição também contou com a participação de uma série de organizações sem fins lucrativos e inaugurou uma parceria com a Trampos.co para gerar trabalho e contratações. “Queremos ajudar as pessoas a enfrentar as dificuldades econômicas. Desta vez geramos a oportunidade para profissionais criativos se apresentarem às empresas que contratam”, diz. Segundo Simon, a novidade foi um sucesso, com mais de 100 pessoas pré-contratadas durante o fim de semana do evento, que neste ano também contou com o patrocínio da 3M, via lei de incentivo à cultura (ProAc).

 

Com um saldo tão positivo, ele e Allan, Excel e Photoshop, estão concentrados em formatar a edição de 2019 do evento, ainda sem data fechada, mas prevista para entre outubro e novembro. A meta é promover mais conexões e aproximar setores: com a presença de empresas, instituições públicas e organizações sem fins lucrativos. Todos com a própria abordagem sobre criatividade. “Queremos fazer também um hackaton e pitches criativos em busca de investidores”, conta.

 

O plano dos fundadores também inclui reacender um projeto adormecido de levar edições menores do Pixel Show a outros estados do Brasil. “No passado realizamos o evento em Porto Alegre, Recife e Salvador, mas o projeto começou a crescer tanto aqui que não conseguimos mais levar a outros lugares”, conta Simon. Assim, o Pixel Show segue com a sua meta de chegar a mais espaços e pessoas, expandindo o pensamento criativo.

 

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