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Mulheres na Ciência: “Ninguém precisa ser gênio para trabalhar na área, mas é essencial ter a capacidade de extrair aprendizados dos erros”

13/05/2019

Rosana Emi Tamagawa, supervisora de serviços técnicos, pesquisa e desenvolvimento da 3M, fala do potencial da área científica como opção de carreira

Giovanna Riato

Este texto faz parte da série especial Mulheres na Ciência, que destaca a história, desafios e aprendizados de profissionais que atuam em posição de destaque em área científicas da 3M.

 

A profissão de cientista carrega um arquétipo bem vívido no inconsciente coletivo: um homem introspectivo, provavelmente de óculos, testando novas soluções em uma bancada de laboratório. A realidade, no entanto, é bem diferente: cientista é uma palavra sem gênero e cai como uma luva com o artigo feminino na frente. Quem confirma Rosana é Emi Tamagawa, 46, supervisora de serviços técnicos e de pesquisa e desenvolvimento na 3M no Brasil. Ela trabalha na companhia para gerar conhecimento e novas soluções, uma cientista por definição.

Rosana é avessa aos estereótipos da carreira e à ideia de que a própria profissão é um campo restrito aos gênios. “A nossa cultura traz este estigma, mas quem trabalha na área são pessoas comuns, que fazem as coisas com paixão e têm interesse por descobrir o novo”, diz ela, que fora do escritório gosta de correr, de estar junto da família e de assistir aos vídeos do Manual do Mundo com o filho, de 13 anos. “Ele tem interesse por ciência e sempre tento estimular, testar alguns projetos.”

Para Rosana, quem trabalha com o assunto precisa se interessar pela experimentação, se manter atualizado e ser capaz de extrair aprendizados dos erros.

“Vez ou outra uma descoberta científica chama a atenção, ganha fama. A verdade é que há muito trabalho por trás de qualquer nova conclusão. É um processo de muitas tentativas e, principalmente, muitos erros”

DA IDEIA AO PRODUTO FINAL

Ainda que Rosana não cite, pela trajetória dela fica claro que, para ser cientista, é essencial gostar de estudar. Engenheira química, antes de entrar na 3M ela fez mestrado e doutorado na área, estudou na França, nos Estados Unidos, e desenvolveu uma série de pesquisas, incluindo em Biotecnologia com ênfase em Processos Industriais. Como se a formação já não fosse completa o bastante, fez pós-doutorado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), onde começou a trabalhar em projetos mais conectados com a indústria.

Saiu de lá direto para atuar na 3M como desenvolvedora de produtos de filtração. “Comecei a minha carreira aqui na bancada do laboratório e indo a campo para fazer pesquisa”, conta. Ela diz que há um tempo já tinha o interesse em sair da academia para trabalhar em uma corporação, em construir soluções dentro da empresa ao lado de outros cientistas.

“Desde criança me atraia a possibilidade de trabalhar com o processo inventivo e de experimentação prática para gerar novas descobertas que se materializam, que possam virar produtos úteis. Na 3M tenho essa chance o tempo todo”

Assim como fez na carreira acadêmica, na organização Rosana construiu uma trajetória consistente e, em 2016, foi convidada a sair da bancada para a função de liderança que desempenha hoje. “Coordeno times técnicos. É um trabalho diferente, mas que ainda me permite ver o processo, essa materialização dos produtos”, conta. Ela diz que vez ou outra tem saudade de estar na bancada conduzindo suas experimentações, mas que a posição que ocupa hoje na companhia é recompensadora.

“Meu papel é compartilhar a minha bagagem e estimular o desenvolvimento das pessoas para gerar resultados ao negócio”

Ela diz que o mundo corporativo tem outra velocidade, exige especialização mais rápida. Ainda assim, ela entende que toda a bagagem acadêmica que trouxe faz a diferença no dia a dia. “É muito bom trabalhar em uma organização que valoriza tanto o processo científico, investe em pesquisa e desenvolvimento, possibilita a carreira em Y que é - um diferencial para os profissionais da área técnica -  fomenta um ambiente de colaboração e inovação. Está até no slogan: Ciência aplicada à vida”, diz.

 

CIÊNCIA COLOCADA À PROVA

Não são tempos exatamente simples para a comunidade científica, já que há grupos que atuam para questionar teorias já amplamente comprovadas. No meio desta falta de entendimento, Rosana percebe uma oportunidade. “O papel de um cientista é sempre ajudar a desmistificar as coisas. Parte da nossa responsabilidade é falar do tema e esclarecer dúvidas com uma linguagem acessível”, diz.

Para ela, estes novos questionamentos deveriam ser vistos como convites para levar as discussões sobre o tema para fora das salas de aula, democratizar o assunto e tornar, enfim, a ciência uma carreira atrativa para mais gente. “As pessoas precisam considerar esta possibilidade. Há uma série de oportunidades interessantes na profissão”, conta.

Ela diz que o fato de ser mulher nunca limitou suas possibilidades na área – apesar de já ter escutado um ou outro comentário preconceituoso em ocasiões específicas. De todo modo, afirma que ainda existem sim barreiras ou vieses inconscientes restringindo as oportunidades profissionais para muitas mulheres e isso precisa ser combatido com esforços para proporcionar maior equidade de oportunidades nas organizações, projetando esse movimento também para grupos como LGBT, diferentes etnias e Pessoas Com Deficiência (PCD).

Segundo Rosana, precisa ser constante a busca por uma maior inclusão. “A diversidade contribui inclusive para o avanço da ciência, já que a propagação de diferentes pensamentos, ideias e experiências propiciam um ambiente mais criativo e fértil para a inovação”

Segundo Rosana, o mais importante para quem quer investir na carreira científica é ter a curiosidade aguçada, estar aberto a novas ideias e se munir de perseverança para testar, errar e tentar sempre de novo. “Ser cientista é ter a humildade de aprender constantemente”, resume, cheia de bons conhecimentos acumulados na bagagem.

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